Sábado, 13 de Março de 2010

ROSA IMORTAL

 

 

 Imagem Internet/   Salvador Dalí

 

 

 
Rosa imortal
Pousada em meu seio
Colocada por ti,
Cintila no jardim.
 
Silêncio de vultos parados
Olhando por mim.
 
O vento não me toca
Só tu te espelhas
Perto de mim
E lanças teu olhar,
No silêncio de meus versos.
 
Que sentimos? Que dizemos?
Faz muito frio…
 
Nada nos toca
Sem roupas no corpo,
Apenas a Rosa Imortal
Pousada em meu seio.
 
Faz muito frio,
De olhos dormentes, falta-nos o sol.
 
Entramos no espelho
Descobrimos um mundo
Fora do nosso mundo
Dentro do nosso Ser.
 
Os cabelos estão verdes
Da cor de águas trementes.
 
Nadamos em meio de nenúfares,
Plantas exóticas
Como eu, amor meu.
 
Deixamos as roupas
Ao sol da manhã,
No nosso mundo de espelhos
Nos beijamos e amamos,
Nas muitas Dimensões
Do nosso Eu.
 
Dentro do espelho, outra vida flúi
Sobem ramos de rosas
Ao encontro da Rosa
Colocada por ti
A acender clarões no meu jardim.
 
Lutamos e amamos,
Não voltamos…
 
Fica em mim
E eu em ti.
 
 
Maria Luísa O. M. Adães
 

 

publicado por M.Luísa Adães às 10:07
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48 comentários:
De Ceiça a 16 de Março de 2010 às 14:55
"Fica em mim
E eu em ti."

Adorei isso!
Aqui é mais um cantinho agradável de se visitar.
Beijinhos
Ceiça


De M.Luísa Adães a 16 de Março de 2010 às 15:20
Ceiça

Estupefacta e feliz fiquei com vossas palavras e
presença neste blogs.
Aqui escrevo muito mais do que no google. Neste
momento. estou com muito interesse no google. Lá
vou esperar vossa foto de amigos.

Obrigada por me procurarem. Adoro nosso amigo
Tossan, através de quem os conheci.

Com amidade, agradeço,

Maria Luísa Adães


De Sara V. a 17 de Março de 2010 às 02:55
Bonito, como sempre, Luísinha!
E tão floral, tão perfumado... Uma celebração, uma memória, uma nostalgia, uma realidade... Uma forma de nos conhecermos e compreendermos, olhando-nos no espelho. Não no espelho de vidro mas no da nossa alma... Da nossa alma que é transparente mas nem para todos nem sempre...
Espero que já esteja bem melhor!
Mas as melhoras ainda!

Um beijinho,
Sara


De M.Luísa Adães a 17 de Março de 2010 às 10:45
Sara

Feliz por te encontrar. Ai que saudades Deus meu.

Lindo o poema, feito de realidades e espelhos, onde outra vida fluí, tão diferente desta vida.

Duas vidas em paralelo - nunca se vão emcontrar
em qualquer paragem, mas se reconhecem e acompanham sempre.

Visão neo-modernista no Brasil - Futurismo em
Portugal.


De M.Luísa Adães a 17 de Março de 2010 às 10:54
Sara

O comentário me fugiu, sem eu lhe tocar e não
me deixou acabar.

Obrigada por me escreveres e não me esqueceres.
Tanto tempo passou...

Estou melhor e tenho um livro a saír, talvez, daqui por 1 ou 2 meses.
Quando acontecer, mando dizer. A ser lançado, será em Lisboa, onde passei a maior parte da minha vida.
Os filhos bem? E tudo a caminhar? Espero que sim.
Obrigada pelo reencontro. Adorei!

Escrevi e vi teus trabalhos. Outra vida, outro mundo. Tudo passa - que estranha a Vida!

beijos,

Mª. Luísa



De Maria João Brito de Sousa a 17 de Março de 2010 às 11:37
Magnífico! Lindíssimo! Intemporal, esse amor que tão bem descreves!
Olha, vou-te contar uma coisa... lembras-te das três pombinhas que eu te disse que ainda tinha em casa? Uma delas, a Hope, começou a fazer uns voos curtinhos e eu lá me decidi a experimentar libertá-la, aqui, junto ao meu pinheiro favorito, perto da igreja de Sto António de Nova Oeiras. Ainda não sei bem se está em condições de ficar... ficou muito aflita e perdeu toda a coordenação motora quando eu a soltei. Deu uns voos descoordenados, em redor de si mesma, e acabou por cair várias vezes. Daqui a pouco vou ver se já se acalmou e se os outros a estão a aceitar. Se não estiver bem, levo-a de novo para casa... mas estou um bocadinho aqui e outro bocadinho lá fora, com ela... tu entendes-me!
Abraço muito grande!


De M.Luísa Adães a 17 de Março de 2010 às 15:10
Esta resposta devia ter sido lembrada, antes de eu saír.

Nada mais tenho coragem de dizer. E hoje é um dia
em que estou, particularmente, sensível.

Que Deus tenha piedade de nós.

Maria luísa


De Maria João Brito de Sousa a 17 de Março de 2010 às 14:21
Estou triste, amiga. Infelizmente a minha pomba não era tão imortal quanto a tua rosa e acabou de ser atropelada por um carro, a pouco mais de um metro de mim. Fiquei mesmo muito triste e vou precisar de algum tempo para fazer este pequeno luto.
Nem sempre as melhores intenções obtêm os melhores resultados, mas a Hope sempre viveu cerca de dois anos em paz. Se eu nunca lhe tivesse acudido teria morrido muito antes...
Um abraço e desculpa.


De M.Luísa Adães a 17 de Março de 2010 às 15:04
Mª. João

Cheguei agora do Ortopedista e vinha a pensar em ti e na tua pomba.
Vou contar o meu pensamento, só que não chegou a horas...

Pensei: 1º. a pomba não está habituada à rua.

2º. é tarde para se habituar.

3º. deves mantê-la em casa, ela aí está feliz, é esse
o seu habitat. Deixou de ser uma pomba qualquer.

4º. Recolhe-a! Mantê-la lá fora, é absurdo!

Isto foi o meu pensamento pelo caminho, com
intenções de chegar a casa e te aconselhar de imediato.
Só no caminho de volta a casa, me lembrei.

Naturalmente, coincidiu com a hora em que ela morreu.
E eu não me lembrei disto antes de saír, só na volta me lembrei e vim à pressa para te escrever, o que acabei de escrever.

Chegou muito tarde o aviso. lamento tanto, meu Deus...

Mª. João, não tornes a fazer o mesmo com qualquer dos animais que tens e pombos também.
Raciocina com mais clareza e menos" pressa", por
favor.
Estás a resolver coisas muito à pressa e são absurdas.
Aí tens um triste exemplo.
Lê devagar e interpreta o que pretendo dizer.
Já não torno a ler a notícia, não tenho coragem.

Maria Luísa


De Cicero a 18 de Março de 2010 às 09:25
"Dentro do espelho, outra vida fluí
Sobem ramos de rosas
Ao encontro da Rosa
Colocada por mim
A acender clarões no meu jardim"...

Só esta parte, dava um poema inteiro!Espetacular!

Lindo!



De M.Luísa Adães a 18 de Março de 2010 às 10:11

Agradeço a gentileza.

gostei de o encontrar!

M. Luísa


De Anthos a 18 de Março de 2010 às 09:29
"Faz muito frio
de olhos dormentes, falta-nos o sol...

"e os cabelos se tornara verdes"

Quanta beleza neste dizer. Obrigada.

Anthos


De M.Luísa Adães a 18 de Março de 2010 às 10:08


Agradeço ter gostado e salientado esse gostar!

M. Luísa


De Alzira Macedo a 18 de Março de 2010 às 22:04
Olá amiga...

Ando com muita pouca vontade e forças de tudo...
O que amei outrora hoje nada me encanta...
Estou com as rodas baixas mesmo..
Senti vontade de te falar, de te dizer ao menos olá...
Vim aqui estou...
Deixando-te um sorriso e um xi coração...
Voltarei um dia ...
Beijos doces


De M.Luísa Adães a 19 de Março de 2010 às 18:21
Alzira

Não me pareces melhor, mas não te preocupes.

Deixa o tempo passar, a saúde voltar e de novo
encontras o apoio em ti própria, para subires ao
Alto da Montanha e do cimo, olhas a vida por ti vivida e tudo quanto não interessou - desapareceu.

Ficou o amor e a alegria de viver.

E vem até mim "que sou mansa de coração". apenas
quando sentires vontade de o fazer.
Eu espero, sempre por ti!...
Obrigada pela lembrança de mim.

Beijos e as melhoras,

Mª. Luísa


De Mary Brown a 19 de Março de 2010 às 00:45
Esta musica é de uma beleza indescritível. Há tantas rosas imortais que lutam e amam e acabam sem recompensa. Mais um lindo poema. Beijinhos


De M.Luísa Adães a 19 de Março de 2010 às 18:12
Mary Brown

Grata pela tua presença e a tua lembrança de mim.

A música é tocada com flautas e é bastante bela.

Sei das rosas que lutam e amam e não têm a recompensa do mundo.

Esta "Rosa Imortal" entrou nos espelhos, encontrou
outro mundo a fluír - gostou e ficou - não voltou!

Vês a diferença? Não voltou!

Beijos e obrigada

Mª. Luísa


De Mírtilo MR a 19 de Março de 2010 às 15:17
Maria Luísa:

Cá estou de regresso, depois de algum eclipse, depois de algum tempo de desaparecimento ou de «morte» relativamente a este internético mundo que uma imensidade de gente tece e a que se prende, tantas vezes intensamente, dependentemente.
No meu caso, amo a liberdade, sobretudo a liberdade interior, de pensar e exprimir, e a de observar e se possível sentir a Natureza. E gosto de, sendo possível, experimentar em mim estados de alma, que existam em mim ou que existam nos outros, para em bom sentido fartar, alimentar, minha alma de sensibilizações, ainda que também goste de descansar o espírito impregnando-o de silêncio, de simples contemplação, de paz.
Este seu poema, esta rosa imortal, é mais um monumento maravilhoso à poesia e à respectiva sensibilidade. É difícil ter palavras sufucientemente adequadas para elogiar a beleza, o significado, a profundidade, de mais este poema.
O amor pode realmente ser uma rosa imortal plantada no seio de uma amada mulher por um seu amante homem, em que florescem ambos nesse mais belo e atraente sentimento, que tanto e tão bem une, que é o amor, e se revêem intimamente em qual extraordinário espelho, que os reflecte para dentro um do outro, para um mundo que os faz descansar deste outro mundo exterior em que navegam, como toda a gente, de forma geralmente naufragante.
É claro que a idealização deste poema em toda a gente, em todo o mundo, seria a plantação dessa rosa imortal do amor de forma edénica almejada e procurada por todos desde o fundo dos tempos e para sempre.

Um beijo.

Mírtilo


De M.Luísa Adães a 19 de Março de 2010 às 18:03
Mírtilo

Aqui estás! Não quero nunca, tirar a tua liberdade
interior e de pensamento. Só vens quando te apetecer, ler. pensar, escrever teus pensamentos.

Nunca sintas a obrigação de o fazeres! Sê expontâneo e livre como tu gostas e vem ao encontro de meus poemas quando sentires dentro de ti, uma vontade forte do encontro de alguma coisa que possa ser diferente e te dê prazer.
Em Liberdade pura e absoluta.
Eu espero toda a Eternidade, se for necessário.

Adorei teu trabalho ao me escreveres.Foi um bom trabalho literário.
A tua análise, é o meu poema representado no palco
para as sombras caladas, das muitas Dimensões do nosso "Eu".

Tu dissete tudo, nada mais há a crescentar.

E eu te agradeço "esse tudo".

Com amizade,

Maria Luísa


De Maria João Brito de Sousa a 19 de Março de 2010 às 15:51
A vida continua, minha querida amiga. Espero que estejas a obter excelentes resultados com a tua fisioterapia e, claro, que não abuses no que respeita ao teu trabalho no computador, por muito que nós gostemos de ler estes poemas imortais como a tua rosa.
Tu tinhas toda a razão. Só te digo isto porque não quero estar a reavivar momentos dolorosos. Mas tinhas toda a razão...
Um enorme abraço!


De M.Luísa Adães a 19 de Março de 2010 às 17:46
Mª. João

Não falemos mais no assunto, mas promete-me, não faças experiências para uma maior felicidade.
Assim eles se encontraram, assim se habituaram, assim são felizes.
Que pedimos mais? Ilusões das nossas cabeças, um pouco, descontroladas. E os nossos desejos de boa vontade, não se coadunam com a felicidade dos que estão junto a nós.
A cada um a sua forma de viver.
É tarde e não interessa, para eles, a chamada Liberdade. Dá-lhes amor, conforto, paciência, mas
deixa-os contigo, sempre e enquanto possível.

Não os tires do seu "habitat" nunca mais, por favor.

Calma e ponderação!
Eu estou melhor. A vértebra alinhou com as outras, a cifose desapareceu e eu cresci, 4 cm em altura.
Ela quando afundou me fez-me descer.
Ao subir, voltei ao meu normal. Muito bom!

Obrigada pelo teu cuidado,

Beijos,

Maria Luísa


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