Sábado, 18 de Abril de 2009

RETRATAR

 

 

 

 

 

 

 Imagem Internet / Salvador Dalí/ Ascensão de Cristo

 

 

 
Retratar o mundo
Através das palavras,
O sentir
Das suas mágoas,
As dores,
As alegrias,
Os desconfortos,
A esperança nos dias.
 
Retratar pessoas,
Acontecimentos menos bons,
Outros à deriva
Pelas noites frias e fechadas
Ao som dos ruídos do silêncio,
Dessas mesmas noites
Misturadas, com a agonia
Do aparecer do dia.
 
Retratar as coisas,
Medir as distâncias,
Reconhecer os caminhos,
Falar com os mendigos,
Exultar os sem esperança
E os sem abrigo
E reconhecer neles,
 
“A minha face perdida
Nos espelhos partidos
Da minha vida!”
 
Retratar os sons,
Aos ouvidos
De quem não ouve
E tanta falta faz – ouvir,
Para poder dissertar
E ao longe escutar
Os barulhos do silêncio
Em surdina
A contar, a última rotina.
 
E tanta falta faz – ouvir,
Para entender o mundo
Tão difícil de entender.
 
Retratar
Quem não ouve,
Para repetir o que ouvir
E dar alento a essa falta
E manter a ilusão
De que o ouvir
Ou não ouvir,
Não importa!
 
Manter essa ilusão
Como uma verdade
Inconsciente ou não.
 
Retratar, revelar,
Mostrar no rosto
Um outro rosto
E esquecer os outros rostos,
Perdidos na noite
Escura e agreste
Dos silêncios,
De quem não ouve
De quem não sabe…
 
Que não torna
A Ouvir!
 
Retratar sempre e sempre
E amar!
 
Maria Luísa Adães
 
publicado por M.Luísa Adães às 15:32
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43 comentários:
De Fisga a 19 de Abril de 2009 às 18:23
Olá amiga Luísa. Retratar. Retratar o mundo: Olha amiga tu retratas o mundo, e não só. Tu retratas também o submundo, São os que não ouvem, os que não vêm, os sem abrigo, os que agonizam, os mendigos e os desesperados. Tu retratas o mundo em toda a sua essência, com todas as venturas e desventuras, com todas as riquezas e misérias, com todos os seus orgulhos e desgraças, com todas as suas alegrias e tristezas. Este teu poema é uma biografia do mundo, contada e cantada em poesia. Da maneira mais clara e resumida, mas facilmente entendível, que é possível. Tu sobes de nível qualitativo, a cada novo poema que fazes. Tenho pena que não tenhas esperado mais um ou dois dias, este poema vai fazer esquecer o anterior. O que é uma pena. Beijinhos Eduardo.


De M.Luísa Adães a 19 de Abril de 2009 às 18:42
Eduardo

Tu deixaste um comentário de assombro! Excepcional na forma de análise do poema.Sim, retrato o mundo e o submundo, alegrias e tristezas
e os tropeços do caminho; era tão intenso que não poude esperar mais um dia ou dois. Pode fazer esquecer as Rosas vermelhas, mas eu hei-de voltar
e tornear o tema de novo.

Obrigada pelo teu comentário; está extraordinário,
como se fosse outro poema, em homenagem ao
Primeiro!Fiquei sem palavras!Tu és a" Caixa de
Pandora.
beijos,

Maria Luísa

Fiquei sem palavras!


De Fisga a 20 de Abril de 2009 às 12:30
Olá amiga Luísa. Obrigado pelo elogio. Mas não é nada amais do que o poema merece. Caixa de Pandora. Sabes que da caixa de Pandora, pode sair uma coisa bem simples, basta para isso ser inesperada. Mas obrigado mais uma vez fico muito feliz por ti e por mim. Beijinho Eduardo.


De M.Luísa Adães a 20 de Abril de 2009 às 19:55
Eduardo

O que disse, foi o que senti quando li o comentário;
chamo-te caixa de Pandora e és!
Saem de ti as coisas mais inesperadas, no bom
sentido, além de seres um homem honesto e justo.
Disse e torno a dizer, o comentário é um espectáculo.

Fica feliz. pois eu conheço o valor do que se escreve.

Beijos,

Maria Luísa


De Fisga a 21 de Abril de 2009 às 15:05
Olá amiga Luísa, Fico muito gratificado, com os teus elogios, embora me custe caro para manter a esperança de os saber merecer. Mas sinceramente e sem falsas modéstias, não me acho assim nada de mais. Embora gostasse de conhecer bem certas vertentes da escrita, que também não conheço. Mais uma vez vim ler o teu post . retratar, e curioso, a cada vez que o leio encontro mais alço em que não tinha reparado. Tal como tudo o na vida, nada é tão bom na primeira vez como na 2ª 3ª 4ª e por aí fora. Beijinhos. Eduardo.


De M.Luísa Adães a 21 de Abril de 2009 às 16:55
eduardo

Quando digo:

De quem não ouve
De quem não sabe...

Que não torna
A ouvir!

refiro-me aos deficientes auditivos de quem ninguém se lembra - apenas contar anedotas
miseráveis, acerca da surdez.
Esta deficiência é muito complexa e atinge, também, muitas crianças.
Quem repara neste pormenor? Ninguém!
O poema fala de todos os desgraçados deste mundo.
E os surdos, entram nesse roda de miséria.
É um poema muito abstracto, mas fala de tudo
quanto é real!
diz-me se levas o estudo das "Rosas vermelhas" ao
teu blogs.
Com amizade,

Mª. Luísa



De Fisga a 21 de Abril de 2009 às 17:47
Olha amiga Maria Luísa. Estou sem palavras. Com tantos e grandes elogios que eu acho não mereço, mas não deixo de agradecer por isso. Pois é a ti e ás outras pessoas amigas que cabe julgar. Um grande beijinho E melhoras. Eduardo.


De M.Luísa Adães a 21 de Abril de 2009 às 17:53
Eduardo

É a nós que cabe julgar! Parabéns!

Da amiga,

Maria Luísa


De Fisga a 21 de Abril de 2009 às 18:11
Amiga Luísa está tudo dito, não se fala mais no assunto. Beijinho Eduardo.


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