Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

ABANDONADOS

 

 

 

  

A Serra espelha-se no Mar,
O Sol brilha e aquece
E a desumanidade permanece,
Nos animais abandonados
Perdidos, maltratados.
 
Trinta cães no Cimo da Serra  
Nove no Portinho da Arrábida,
 
Abandonados por aqueles
De quem foram, amigos fiéis.
 
O tempo estava quente,
A Serra brilhava
As cigarras cantavam
O mar enrolava
A areia da praia,
As crianças brincavam.
 
E eles perdidos
Abandonados
Sem água,
Sem casa,
Sem vida,
Sem comida,
Uivavam…
 
Num cântico negro
Desesperado!
 
Eles estão amedrontados
Abandonados,
Formam matilhas
Seguem as trilhas
Vêm à estrada
E esperam aqueles
A quem amavam.
 
Eles não voltam,
Eles não sabem
 
E esperam a bênção
De um afago,
A beleza da Serra
Está manchada
Por gente,
 
Que deixou de ser gente
Quando os abandonaram!
 
A Serra encanta
O peregrino sequioso,
Ao longe o mar
Toca seu canto doce…
 
Eu não volto à Serra!
 
Não posso voltar,
Olhar e nada fazer
E esquecer
E não ver
À minha volta,
O que se vai passar.
 
 
E tenho de viver,
Nada posso fazer
Tenho de esquecer!
 
Mas fica escrito
No vento,
O que acabo de dizer.
 
 
Maria Luísa O. M. Adães
publicado por M.Luísa Adães às 19:00
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76 comentários:
De Druída a 28 de Agosto de 2009 às 05:03
Conheço a Serra,

Conheço o Mar,

Conheço o abandono de que fala.
É de uma desumanidade nunca vista que não pode
ser aceite, num País que se diz civilizado.

Este ano, pior do que os outros anos, a crueldade
de pessoas que não são pessoas, é maior.
A indiferença é desumana!

Muito comovente o seu poema!
Possa ele tocar os corações de pedra, ser colocado nos jornais e darem ajuda aos cães que vão morrer,
num holocausto que é, cada vez maior.
A civilização está perdida! Ninguém repara nesta
infâmia, mas é verdade o que diz.
Parabéns pela Coragem!



De kelly a 28 de Agosto de 2009 às 05:09
Repleto de verdade e comovente o seu Poema aos
cães abandonados que vão morrer, na pior das misérias - o abandono -.

Agradeço o que escreveu; possa tocar os corações
de pedra que praticam homicídio em animais.

D :)



De Anónimo a 28 de Agosto de 2009 às 07:17
Força e coragem para dizer a verdade às multidões que se enchem de vaidade.
Muitos deles, são os donos dos câes abandonados.

Linda sensibilidade! Ouçam os uivos dos
"Abandonados!" E gritem de indignação, contra a
maldade!


De Noah a 28 de Agosto de 2009 às 12:09
Bom dia Maria Luisa , mais um poema, como sempre, inovação não lhe falta !
Posso-lhe dizer que este seu poema, irá servir, com uma certa imagem de muitos erros cometidos por gente incompetente, a famosa imagem negra e obscura das pessoas que não são capazes de viver perante a biodiversidade, que é única existente neste maravilhoso planeta.. Está escrito no "livro" do vento, que a brisa só corre em volta dos menos protegidos que merecem todo o seu carinho, e especial atenção..
Peço as pessoas que tentem viver e compreender o lado selvagem deste mundo, porque é ele que nos dá a força e vontade de sobreviver neste planeta :)

Into the Wild.

Parabéns por esta futura e famosa aquisição, Maria Luisa

Beijinho, e Felicidades com este poema.

Noah


De M.Luísa Adães a 28 de Agosto de 2009 às 18:30
Noah

O poema saíu, eu precisava de alertar o mundo com
a minha escrita, para tocar corações sensíveis.
o Portinho da Arrábida e a Serra (por mim já cantados em livro publicado) é muito belo e
conhecido.
Eu pensei denunciar o esquema daqueles que não são gente, mas sobrevivem ,pois nada têm de sensibilidade e amor.

então eu preciso que a brisa me envolva com carinho, pois não tenho protecção neste mundo onde escrevo e vivo, mas nada posso fazer, pelos
necessitados.

Obrigada pela tua atenção e carinho.

Maria luísa


De Fisga a 28 de Agosto de 2009 às 15:30
Olá amiga Luísa. Fiquei tão triste. E estou cheiinho de pressa, para preparar tudo e ir embora. Mas é só mais este comentário. Outros ficam por respondes e comentar, mas o tempo não é elástico depois de se estabelecerem prioridades. Só te quero dizer que a serra da Arrábida, é só mais um local de abandono como tantos outros que há neste país. E não é que isto passe despercebido ás respectivas autoridades. Simplesmente está tudo transformado numa bandalheira, que até fás aflição. Podem dizer-me: O controlo é difícil, mas é mais difícil haver vontade política para resolver as coisas. Há outra coisa muito má. É termos 10 ou 12 milhões de habitantes, mas só 70 % dessas pessoas é que tem coração. Os restantes têm uma pedra no lugar do coração. Não sabem o que é ter respeito por si próprias e muito menos pelos outros. Um beijinho e continuação de boas férias. Eu volto dia 15. Eduardo.


De M.Luísa Adães a 28 de Agosto de 2009 às 18:20
Eduardo vai á tua vida; fazes falta neste recanto virtual onde podemos desabafar e encontrar gente boa.
mas tens razão só 70% das pessoas têm coração,
o resto não são pessoas, nem sei o que são.
amanhã levo comida e água, mas para a semana deixo de lá ir e nada posso fazer.
Tinha de escrever o poema para ter oportunidade de denunciar aos que por aqui passam e nada dizem
a situação do Portinho da Arrábida muito conhecido
mas me parece que a net e os seus milhões de pessoas e aquilo que escrevo de nada serve no
contexto deste mundo.

Escrever para quê? Para uma dúzia de pessoas sensíveis como eu? Só isso? E vale a pena? Ajudo
alguém com o que escrevo?
me parece que não - então deixo de escrever!

Vai em paz e saúde e quando voltares escreve.

beijos da amiga,

Mª. Luísa


De 100timento a 28 de Agosto de 2009 às 17:18
Finalmente termina..
Termina este suplício
Que é existir
na terra dos homens
Ser invisível,
Andar quilómetros,
Atravessar serras
Sem ser visto,
abandonado,não existo,
ganir lamentos mudos
sem resposta.
Estarei mesmo vivo?
Será isto viver?
Que raio de vida é esta??
onde está o homem?
quem é o animal?

Um beijinho no teu coração de ouro


De M.Luísa Adães a 28 de Agosto de 2009 às 17:58
Rui

aquela gente, deixou de ser gente,
a partir do instante, em que os abandonaram.

e eles vão morrer à fome e à sede sem que os corações se compadeçam.

Eu tenho levado água e comida granulada, amanhã
torno a levar, mas para a próxima semana, deixo de lá ir.

A idéia de colocar a meu modo esta história tenebrosa na Net , seria no sentido das pessoas que tiram lindas fotos ao ambiente, repararem nestes 9 cães que se encontram no Portinho da Arrabida, abandonados, não falando, nem indo ver
(por falta de meios e de coragem) os que vêm à
estrada quando ouvem os carros, sempre esperando
a vinda dos homicidas que são os donos que os
abandonaram.
Mas eles não voltam mais, nem são frequentadores do local. Daí os terem levado para um lugar onde
não voltam mais.

Rui, não são pessoas, também não são animais, são
uma espécie existente na terra que fingem ser gente e não são gente - não sei quem são, nem sei que nome lhes dar.
Amanhã vou pela última vez à Arrábida (que já cantei em verso) levar comida e água, depois não volto mais.
Pensei, triste ilusão que através da net onde há
tanta gente, conseguisse tocar corações, mas já
percebi que nada posso fazer e o que escrevo não
serve para nada, nem para ninguém.

Então de que me serve escrever? Só escrever? E a
minha escrita não ajuda nada nem ninguém neste mundo?
De que serve, meu amigo este dom que me foi dado?

Para que o quero se nada posso fazer pelo sofrimento que se me depara? Escrevo para mim
e alguns amigos sensíveis como eu? Só isso?

E vale a pena continuar? Me parece que não...

Obrigada pelo teu carinho e o teu apoio.

Maria luísa


De 100timento a 28 de Agosto de 2009 às 19:48
SIM...vale a pena, tal como tu eu publiquei no blog uma criança que tem a morte escrita no olhar.. DARFUR ...e a essa criança posso eu fazer alguma coisa que mais não seja lembrar os poucos que me lêem que essa realidade existe.
Não desistas amiga ...
Beijinho


De M.Luísa Adães a 29 de Agosto de 2009 às 18:51
Rui
Com a pressa enganei-me na imagem, um amigo chamou a minha atenção, já foi substituída por uma
da Net de "Cães Abandonados".

Hoje levei comida e água, mas só volto e por eles,
na próxima sexta-feira.
Sei que nada posso fazer, mas tens razão, eu escrevo - e tinha de denunciar o que vi e senti.
Por isso, eu escrevo na Net, meio de comunicação.

Conta-me dessa criança...DARFUR...que significa?

Obrigada por me dares força e ânimo e assim, me
sinto menos abandonada.
Que bom te conhecer!
Que bom seres meu amigo!

Grata, te envio um beijo de amiga,

Maria Luísa


De Noah a 28 de Agosto de 2009 às 21:33
Não tens que agradecer, mereces sem dúvida..
Não te esqueças, que só tu com essas palavras é que consegues chamar os animais, é como se fosse um mensagem de salvamento perante dos que ouvem as tuas palavras, pelo monte e vales que sempre sonharam :)
Diz-lhe quem és, Maria.
Só assim é que nós vamos lá, fazermos algo com amor á vida.
Dás estabilidade a estes seres, que precisam tanto das tuas palavras, apesar de não entende-las, o som bate sempre no ouvido, as vogais no coração.

Beijinho e Felicidades,

Noah


De M.Luísa Adães a 29 de Agosto de 2009 às 18:39
Noah

Com a pressa enganei-me na imagem.
Um amigo chamou a minha atenção e já está substituída, por uma da Net "Cães abandonados".
Estou de férias e isto apanhou-me sem esperar.

Tenho levado água e comida, mas segunda-feira, não volto lá, mas ainda volto no próximo fim de semana.
Nada posso fazer, mas como a Net é um meio de informação, resolvi escrever em verso, o facto
triste e sombrio e mostrar ao mesmo tempo, o
contraste entre a Serra e o Mar e toda a sua
beleza, como cenário de uma situação ignobil.
O Abandono, sistemático, dos animais!

As crianças têm de ser educadas para que a
próxima geração tenha a noção dos "Direitos dos
Animais e das Pessoas sem abrigo". Têm de ser
educados, mas que civismo e amor pode gente desta
dar aos filhos?
Eu escrevo, tenho de transmitir na minha escrita,
nos meus versos, o que sinto e o que vejo. A Net
como meio de comunicação, faz o resto...

Obrigada pela tua amizade. Foi bom conhecer-te!

Beijos,

Maria Luísa


De Mírtilo MR a 28 de Agosto de 2009 às 22:26
Maria Luísa:

Por entre um poema à tão bela serra da Arrábida surge a tão feia mancha de desumanidade de humanos que são interiormente como animais ao abandonarem animais, cães, que lhes devotaram sentimentos como de humanos, ao afeiçoarem-se a eles como seus familiares.
Infelizmente há humanos assim. Nesta altura do Verão e das férias, o destino de muitos cães é mais desgraçado, por todo o lado. Como quase toda a gente, também eu vejo cães abandonados, que me fazem doer o coração de reprovação contra quem os abandona e de lamento por nada poder fazer pelos pobres cães abandonados. E eu sei o que são cães, pois tenho um há treze anos, já a envelhecer, de que sempre gostei muito, apesar das privações que me tem feito passar, sobretudo precisamente nesta altura de férias, mas, para onde vou, ele vai também. Tenho de o ter comigo até ao fim, como algo que tenho de cumprir infalivelmente.
O poema, além de ser um retrato comovente, é uma sempre actual chamada de atenção, mais uma, para os pobres bichos caninos abandonados. Neste caso, em plena serra da Arrábida, eles, se lhes não for dado um destino melhor, poderão, pela sua lógica subsistência, tornar-se bravios e constituir matilhas que poderão obviamente vir a ser prejudiciais aos próprios seres humanos, sobretudo às populações das zonas por onde andarem.

Os meus parabéns pela denúncia da desumana situação.
Um amistoso beijo.
Mírtilo


De M.Luísa Adães a 29 de Agosto de 2009 às 17:58
Mírtilo MR

Agradeço o reparo à imagem.
Tem toda a razão. Por ignorar, aparece um erro dos
grandes. Já foi substituída por "Cães abandonados".

Muito grata! Não sei se foi em duplicado. Fiquei tão
atrapalhada que me parece estar a escrever pela segunda vez.Foi muito bom ter reparado!

Eu fiquei muito triste quando percebi que os tinham
abandonado, tal como digo no poema.
Não poude deixar de escrever! E como estou na Net
denunciei o local, muito procurado por essa espécie
de gente (não sei que nome lhes dar).

Aqui fica por uns dias.
Tenho levado comida e água, sei que nada resolvo,
mas para a próxima semana, deixo a Arrábida e
eles vão morrer ou transformar em matilhas perigosas, como o meu amigo diz e muito bem.

Eu tive uma cocker spaniel 16 anos. Morreu quando eu estava no Brasil, tinha ficado com uma familiar minha e amiga, Veterinária.

Quando recebi a noticia pelo telefone foi um desgosto que não sei explicar e no regresso a Portugal, a minha casa, onde ela esteve 16 anos,
estava vazia e os lugares vazios que ela preenchia,
me deram a noção do abandono em que eu tinha
ficado. Passaram-se uns meses e ainda choro por ela e não mais a vou esquecer.
Escrevi uns versos a que chamei "Silêncio" e no
cimo ele está em foto ao colo do meu filho.
Os versos foram passados para o blogs dos Prémios
(mais tarde) e lá de encontram com duas fotos.
Faço notar que os versos são lindos e pretendi com isso, dar-lhe uma "Alma e a Eternidade".

Se for ao blogs principal, à esquerda tem um link
que diz" prémios", clica e procura os versos, fáceis
de encontrar, "Eduardo e maggie / Amor e a seguir,
o poema "SILÊNCIO".
Gostava que o lesse; teria muito gosto que o lesse.

Obrigada pele gentileza e amizade,

Maria Luísa



De Manuela a 29 de Agosto de 2009 às 00:02
Olá amiga, pois é bem verdade o que diz aqui e eu sei muito bem disso pois aqui ao pé de mim abandonam muitos animais.
É triste mesmo existindo tantos avisos continuam a fazer isso.
Porquê Hienas?
São tão feias, e cheiram tão mal...
Beijinhos bom fim de semana.
Manuela


De M.Luísa Adães a 29 de Agosto de 2009 às 18:23
Manuela

Enganei-me na imagem; um amigo chamou a minha
atenção e já foram retiradas e substituídas por uma
da Net de "Cães abandonados" - Está resolvido e eu
agradeço o reparo, mas foi ignorância e enervada
e triste, não dei pelo enorme diferença. Uma gaffe
de alto calibre!
Se quiseres e tiveres tempo torna ao blogs e vê a
imagem! Peço desculpa!

Obrigada por me escreveres.

Com carinho,

Maria Luísa


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