Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

O CORO

 

 Imagem Internet/ Salvador Dalí/ Simbolismo

 

 

 
 
O Coro cantava
Desiludido,
Mas cantava
Uma canção de prece
Ao mais Alto
E suplicava.
 
Mas não sei se acreditava!
 
O Coro proferia
Palavras complexas,
Ninguém percebia
Essas palavras,
Mas todos ouviam
Num silêncio que matava.
 
Não sei se acreditava!
 
Continuou a cantar,
A mudar as vozes
Desse cantar, a murmurar
Levantava e baixava
O tom da melodia
E não sorria…
 
Não sei se o Coro acreditava!
 
Eu ouvia,
Tanto quanto podia,
Mas não entendia
A melodia
Que o Coro entoava
 
E não sei, se eu acreditava!
 
Mas o coro não parava
A melodia
Que nada dizia
E o tom entristecia
E me parecia…
 
- O Coro não sabia
O que dizia.
Não sabia…
 
Faltava vida
Faltava força
Faltava encanto
Faltava louvor
E o espanto
De quem entoava
Aquele canto,
Estranho
Difícil
Sem encanto.
 
E o Coro
Não tinha força
Para dizer:
- Eu não acredito neste canto!
 
As pessoas esforçavam-se
Por entender o Coro,
Ao mesmo tempo
A uma voz.
 
O tempo passava,
Pessoas curvavam
E eu olhava,
Tentava perceber
Ser amável,
Mas o Coro
Não estava comigo,
Nem com aqueles
Que o escutavam
 
E soube o que já sabia,
O Coro não acreditava
No que dizia!
 
Mas todos se esforçavam
No entender da melodia
Que o Coro tentava entoar
E não podia…
Por não acreditar
No que dizia!
 
Maria Luísa Adães
 
 

  

publicado por M.Luísa Adães às 10:38
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49 comentários:
De 100timento a 1 de Maio de 2009 às 12:24
Amiga...ainda nos dias de hoje se ajoelham com um terço na mão olhos no Céu e rezam desfolhando pedra a pedra em voz alta mas o pensamento de quem o faz esse vagueia algures porta fora ,ou seja se não se junta o coração com o que se diz e se acredita então tudo não passa de uma rotina ou de um coro de corações apagados...A Fé não necessita de voz sente-se e vive-se o momento. Beijinho Amiga se errei perdoa mas assim vi este teu poema ou seja esta tua mensagem Um bom fim de semana e sorrisos muitos


De M.Luísa Adães a 1 de Maio de 2009 às 12:57
100timento

Sim é uma mensagem traduzida em poema e é
veridica, não tem ficção.
O Coro não acreditava, isso eu tenho a certeza!
Eu estava lá,com o coro e as preces cantadas ao
Alto. Tentava entender, mas o próprio "CORO" não
acreditava...e tudo morria sem se saber porquê.
E eu escutava e nada entendia e não sei se
acreditava.

Lindo, espectacular o teu comentário, sentido e
entendido, tudo quanto foi escrito com verdade
e tristeza.

Obrigada!

Beijos,

Maria Luísa


De Simbologia do aMoR a 1 de Maio de 2009 às 15:58
Olá Maria Luísa
Como vai?
Sabes que lendo teu poema, pude sentir cada palavra. Não sei o porquê, mas sempre coloco meu sentimento quando leio algo. E achei espetacular.
Ás vezes não se entende nem um "Coro" e nem a "Melodia", porque quem os lê ou os ouve não deixa osentimento "falar". Maravilhoso aqueles que o entendem!
Muitas vezes o meu canto é de forma subtil e ninguém ouve, não entende, exatamente porque olham apenas com os olhos (ou o 1º. olho). Eu sempre tento olhar com outros olhos (2ª. visão). Será que estou errada?
Abraço.


De M.Luísa Adães a 1 de Maio de 2009 às 16:56
re-nascer

É exactamente isso - a falta da Alma no dizer, ou no
cantar, ou qualquer outra coisa mais que se faça e
não se sinta.
Assim funciona "O CORO" , de forma automática, sem calor e sem amor. E nem o Coro acredita no que
canta, nem os que o ouvem, o entendem.

Todos se esforçavam
No entender da melodia
Que o Coro tentava entoar
E não podia...
Por não acreditar
No que dizia!

boa interpretação. Obrigada!

Beijos,

Mª. Luísa



De jpcfilho a 1 de Maio de 2009 às 16:51
Olá Maria Luísa, e o coro cantava de tanto espanto, que tu não entendia-lhe o canto, e de tanto cantar e desafinar, faltou-lhe melodia, que vem do não entender, vem de sentimentos que não lhes cabia, se para cantar,.tem que estar conectado com o amor...
Lindos versos
beijos
João Costa Filho


De M.Luísa Adães a 1 de Maio de 2009 às 17:26
João

É isso, o "CORO" não estava conectado com o amor.
E cantava sem ardor a melodia, não acreditava no que dizia e eu e Os outros não entendiamos o que
"o coro" dizia..

Obrigada por gostares, meu poeta de canto e
encanto.

Beijos da muito amiga,

Maria Luísa


De Sara V. a 1 de Maio de 2009 às 17:43
Só quem acredita no que diz, no que faz, no que canta consegue fazer com que os outros (que assistem) acreditem também.
Podemos até estar certos ou errados mas se acreditarmos na nossa "verdade", na nossa melodia, muitos nos escutarão...
Este "Coro" é uma lição poética... um desabafo... uma constatação e até um recuperar de crenças... Porque, Luisinha, Acreditar é Preciso! (Isto digo eu, que nem sempre acredito, ah ah... mas que me esforço por acreditar, por encontrar as minhas crenças e por seguir sempre o que tenho a certeza de que acredito)

Beijinhos


De M.Luísa Adães a 2 de Maio de 2009 às 12:10
Sara

Olá, linda menina, entendeu tão bem o que pretendi
dizer que merece o "Prémio da Amizade Especial",
pode levá-lo com cuidado, para que não caia e não se parta...

Lindo o seu dissertar, sobre "O Coro" que não acreditava na melodia do que cantava; pobre Coro,
nem eu o entendia e entristecia tudo à sua volta.
Como aquelas pessoas que falam e não acreditam,
no que estão a dizer.
É tudo que diz, no comentário que faz.

Muito boa, a análise do poema. Obrigada pelo tempo
e pela gentileza da resposta (mas cheia de verdade)

Beijos com cariho, da amiga

Maria Luísa


De Fisga a 2 de Maio de 2009 às 08:47
Olá amiga Luísa. Parabéns pelo novo poema. Como poema está espectacular. Mas não sei se ele acreditava. Pois tu própria.
Faltava vida,
Faltava força,
Faltava encanto,
Faltava louvor,
E para espanto de quem entoava,
Aquele canto estava difícil,
E sem encanto.
O Coro não tinha forças para dizer, que não acreditava, neste canto! simplesmente fabuloso, como só tu sabes criar. parabéns, beijinho Eduardo.


De M.Luísa Adães a 2 de Maio de 2009 às 11:58
Eduardo

É verdade, "o CORO" não tinha forças para acabar e dizer "eu não acredito no que digo e no que canto, não posso continuar"...
O teu comentário está espantoso, de clareza e de
verdade. Beijos, por entenderes e responderes de
acordo com o "Poema".Obrigada por gostares!

Com amizade,

Maria Luísa


De Fisga a 9 de Maio de 2009 às 09:21
Olá amiga Luísa. Não me agradeças porque eu só manifestei a minha opinião, que neste caso é admiração. Porque este teu poema é ema dádiva do amor que jorra no teu peito. Obrigado por seres assim. beijo Eduardo.


De M.Luísa Adães a 9 de Maio de 2009 às 10:17
eduardo

ainda bem que o consideras o poema, uma dádiva de amor.

Foi essa a intenção!

Com amizade Maria Luísa


De Fisga a 9 de Maio de 2009 às 13:51
Olá amiga Luísa. Como Sabes, todo o tipo de poesia, é uma dádiva de amor. A única coisa que muda é o tipo de amor, que se põe em cada poema. Aí entra em linha de conta o teor do texto. Como por ex. O nosso amor próprio, amor ao nosso semelhante, amor ao que somos, e ao que fazemos, amor ao belo, onde se inclui a Natureza, Em todo o seu esplendor, amor maternal, ou paternal, amor filial, amor carnal. E tantos outros. Beijo Eduardo.


De M.Luísa Adães a 9 de Maio de 2009 às 17:43
Eduardo

Correcto o teu comentário; a poesia deve ser uma
dádiva de amor, mas nem sempre acontece assim.
Há tanta forma de dizer...

Bjºs Mª. Luísa


De Fisga a 10 de Maio de 2009 às 10:14
Olá amiga Luísa. Sim a Poesia, deve ser uma dádiva de amor. Porque onde há poesia, pode e deve haver amor. Mas onde não há amor, não pode haver poesia. Porque a poesia está muito para lá das rimas das palavras. Um bom Domingo Beijo Eduardo.


De M.Luísa Adães a 10 de Maio de 2009 às 10:54


Sim, a poesia está para lá das palavras, no interior
das mesmas, mas é necessário entender a poesia.
Se não se entende, se não se gosta, não interessa
ler. Para quê? Mas há quem o faça!

Com amizade, Maria luísa


De cuidandodemim a 2 de Maio de 2009 às 11:27
Por vezes cantamos, mas não acreditamos nas palavras, naquilo que dizemos, na música...
Bjns


De M.Luísa Adães a 2 de Maio de 2009 às 11:50
cuidandodemim

Assim se passou com o "Coro" eles não acreditavam,
eu senti isso quando os ouvi e depois escrevi.

Acaba de me entender, através da experiência do
seu sentir.

Obrigada pelo que diz e a sinceridade inscrita nas
palavras. Graças pela sua amizade.

Beijos grandes, enormes,

Maria Luísa


De falta aqui uma corda a 2 de Maio de 2009 às 19:23
Obrigada por não se esquecer!

Acreditar, cada vez mais como S. Tomé...

Um abraço, Luísa.


De M.Luísa Adães a 2 de Maio de 2009 às 20:01
falta aqui uma corda

Há imenso tempo que a procurava e nunca a esqueci. Fez-me confusão o seu desaparecer do blogs e ainda há pouco tempo lá estive e pedi que me respondesse.

Vou continuar a encontrar a sua presença, ou vai
desaparecer por mais um ano?
Se o fizer, deixe recado e eu não fico confusa!
Fiquei feliz por a encontrar, muito feliz...
Sou, me parece, uma pessoa especial, pois me
interroguei a mim própria, a perguntar por si e lhe
escrevi ,mais do que uma vez.

Obrigada pela sua presença no poema "O CORO".

Beijos da amiga Maria luísa


De Sonhosolitario a 2 de Maio de 2009 às 19:35
Olá amiga, Luísa Adães
aqui estou eu um pouco tardio mas não esquecida,
aqui estou no encantamento do teu poema que me diz muito na vida de cada um e de mim próprio,
.
CORO
.
a mim fez-me voltar atrás alguns anos ,naqueles coros que nós cantávamos contra vontade mas tinha-mos de seguir a risca a canção, mesmo contra vontade, sabes por?
tu sabes muito bem, pois nesta vida levamos muitos coros bem altos para ficarem na memoria, era muito belo se conseguíssemos esquece-los ,este mundo era muito mais saudável,
sabes amiga talvez o erro fui por não ter livros, no meu tempo então me ensinaram em coro,
mas eu aprendi muito bem, teve sempre bons professores ,e eu fui aluno exemplo, por
isso nunca faço ideia de um livro antes de o ler até ao fim e mesmo assim as vezes como se torna difícil , julgar esse livro,
porque como fui bom aluno tento não errar no coro desta vida,
porque muita gente ganha a vida com bons coros ,e outros nem se matando na labuta do seu dia a dia consegue entender o tal coro,

desculpa o meu desabafo mas a vidas tem destes coros ,uns em tons mais alto outro que nem se ouvem mas sente-se muito na pele.
está divinal ,obrigado uma vez mais,
Minha querida amiga Virtual
Luísa Adães
um doce beijinho
seu amigo virtual
Sonhosolitario


De M.Luísa Adães a 2 de Maio de 2009 às 19:50
sonhosolitario

Li o teu desabafo, a que o meu poema "O CORO" deu
origem.
Agradeço me escreveres e o poema agradece também e fica feliz, por poderes desabafar com o "Coro" que não acreditava no que cantava.

Beijos da amiga virtual Maria luísa.


De MBeirão a 2 de Maio de 2009 às 23:43
Gostei da mensagem que retirei do seu poema!

felicidades amiga


De M.Luísa Adães a 3 de Maio de 2009 às 08:05
Miguel

Fiquei feliz por o encontrar no meu poema "O Coro";
bem analisado quando fala na mensagem por ele
inserida.

Símbolo da apatia e desinteresse do que se canta e
se diz ao mais Alto e aos outros que estão a ouvir.
Mas O Coro não acreditava no que dizia - eu tenho
a certeza!
Adorei a sua Presença e as suas palavras.

Um abraço da amiga Maria Luísa


De oriona a 3 de Maio de 2009 às 04:16
A súplica, o vazio, a dor que o coro cantava e não expressava e a luz não reluzia, porque nada sentia, e a música tocava e o coro cantava mas o coração não sentia.
Lindos versos, palavras ritmadas que interpretam a falta do sentir que o coro não entoava na melodia.

Beijos amiga
Saudades
Oriona


De M.Luísa Adães a 3 de Maio de 2009 às 07:59
Oriona

Grata por te encontrar; bem analisada a simbologia
do poema.
"O Coro" cantava, mas não acreditava no que dizia,
mas não tinha força para dizer : "eu não acredito e
o coro não chegava ao mais Alto e muito menos a
quem escutava".

Gostei da tua análise e da interpretação dada ao poema.
Adorei encontrar-te, há um tempo que não te
encontrava.
Benvinda sejas sempre e às tuas palavras.
Obrigada!

Da amiga maria Luísa


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